
Uma obra que retrata o inventário que podemos fazer de nossas vidas, de nossas quase-vidas, do que queríamos e do que deixamos de querer, aquele inventário que nos remete às memórias que preferíamos manter ofuscadas. Assim é “A Mão na Face”, o espetáculo lúdico e realista que nos faz querer conhecer mais esses personagens que estão tirando suas máscaras diante de nós. Mara, a prostituta cansada de si e de seus shows, retorna ao palco, e Gina, a travesti que faz dublagens e tenta contornar certa ansiedade e tristeza de suas frustrações, que se revela na preocupação com a cor do batom. Entre um show e outro, no camarim, Mara e Gina entram no caos de suas realidades, desejos e frustrações. O alto do desespero, a comédia da própria desgraça.
