
Na continuação da saga do anti-herói Billdog, Gustavo Rodrigues interpreta não apenas o mercenário que dá nome à peça, mas todos os 46 personagens da história. Em cena, o ator é acompanhado do músico Tauã de Lorena, que assina a direção musical e executa, ao vivo, a trilha sonora original composta por Ben Roe. Na trama, o protagonista Billdog ganha a vida como um mercenário nas ruas de uma cidade fictícia, em algum lugar da América. O fardo de ser um criminoso começa a pesar em sua consciência. Deprimido e tendo pesadelos, ele se consulta com um psiquiatra. Mas, enquanto tenta colocar a cabeça no lugar, ele precisará acertar as contas com um velho amigo, acabar com o mafioso que quer matá-lo e lutar contra um monstro tóxico.
O cenário é uma caixa preta. A simplicidade da cenografia e do figurino (Gustavo veste uma única roupa) dão espaço para o ator se desdobrar nos 46 personagens em diferentes lugares no decorrer da trama – do escritório do mafioso Ivan ao clube de pôquer Jackpot, passando pelo consultório do psiquiatra Dr. Purum Fuki até o antigo porto da cidade contaminado com um misterioso lixo tóxico. Além dos diálogos, Gustavo se incumbe dos inúmeros efeitos sonoros que pontuam a história: barulhos de carros e motos, portas rangendo, tiros, gavetas abrindo e fechando, cigarros sendo acesos.
Em “Billdog 2”, o ator foi buscar na cultura pop dos anos 70 e 80 referências para a construção da encenação e dos personagens criados por Joe. “Queria fazer uma peça com referências desse período que constituiu minha infância e adolescência, meus sonhos e descobertas, com influências das músicas de bandas como The Doors, Legião Urbana, Blitz, Cazuza; filmes do Tarantino, do Batman e que passavam na Sessão da Tarde”, conta.
Londres, 2011: quando a parceria com Joe Bone começou
Completando 20 anos de carreira em 2020, Gustavo lembra a forma curiosa como, durante uma viagem a Londres, descobriu o espetáculo “Bane”, que estava em cartaz na cidade. “Tentei assistir a uma peça do Gerald Thomas, mas estava lotada. A bilheteira me indicou ‘Bane’. Fui até o teatro, do outro lado da cidade, e os ingressos também estavam esgotados!” Como chegou cedo, porém, conseguiu um ingresso na fila de espera e acabou conseguindo assistir. “Esperei o Joe para cumprimentá-lo no final. Ainda não tinha a ideia de montar o espetáculo, mas trocamos contatos.”
Quando se reencontraram dias depois no National Theatre, Gustavo fez a proposta de adaptar a peça. “Não tinha dinheiro para comprar os direitos, mas Joe estava muito interessado em conhecer o Brasil, então, o chamei para ficar na minha casa e vir para a estreia.” A parceria deu tão certo que Joe acabou codirigindo “Billdog” com Guilherme Leme Garcia.
“Billdog” estreou em 2012 no Teatro Café Pequeno, no Rio de Janeiro. Durante os cinco anos em que a peça ficou em cartaz, foram mais de 350 apresentações em 45 teatros, entre Rio, São Paulo e Rio Grande do Sul, além da participação no Festival de Avignon (França) e Festival Tréteaux du Maroni (Guiana Francesa).
