
O espetáculo, que tem texto de Ricardo Guilherme, direção de Graça Freitas e direção musical de Rami Freitas, narra de forma documental a trajetória de Tito de Alencar Lima (1945 -1974). O dominicano cearense militou contra a ditadura militar no Brasil dos anos 1960 e 1970, foi preso político, torturado e banido do país, sendo exilado na França. O texto da montagem, além da biografia de Frei Tito traz também fatos marcantes relativos à geração que, no Brasil, encarnou a vanguarda de uma militância revolucionária contra o governo vigente à época.
“Foi como um desafio estético e temático que aceitamos montar e apresentar esta peça. Tito é um personagem complexo, atormentado, paradoxal. Um religioso envolvido com um grupo revolucionário de luta armada contra a ditadura, cuja morte trágica o transformou em ícone e “mártir” da resistência à ditadura militar no Brasil. Torturado sob a acusação de pertencer à Ação Libertadora Nacional-ALN, organização de luta armada fundada por Carlos Marighella, Tito foi destruído psiquicamente por seus carrascos, o que o levou ao suicídio”, contextualiza Graça Freitas.
O elenco, composto pelos atores Maria Vitória, Leonardo Costa, William Mendonça e Ricardo Guilherme, busca mais que por em evidência os processos históricos. Com 80 minutos de duração e três atos, o espetáculo abrange a breve biografia de Frei Tito, desde sua relação com a família ao envolvimento com os movimentos sociais e seu exílio na França, após ter sido preso e torturado pela ditadura. “É um ato poético-político, uma oportunidade de levar adiante as denúncias de Tito e prosseguir na luta pela construção de uma democracia plena em nosso País”, explica William Mendonça, também produtor do espetáculo.
“O texto de Ricardo Guilherme, escrito na década de 1980, continua atual neste contexto de invisibilidade e esquecimento forçado, onde o resgate da memória mais uma vez torna-se um ato político que impede que o tempo concilie com o silenciamento das vozes daqueles que lutaram na contramão de décadas de injustiça social e política, para impedir que a complacência histórica com os criminosos seja o capítulo final de nossa história”, afirma Graça.
Horários
Sábados às 20h
Domingo às 19h.
