
Primeira parceria entre o diretor Mark Maughan e o dramaturgo Tim Cowbury, o espetáculo explora as falhas e injustiças dos sistemas de asilo para refugiados. A peça parte da história de Serge, exilado do Congo, que se depara com um oficial de imigração britânico. A conversa, de início simpática e acolhedora, logo se mostra um tanto truncada. Apesar de conhecer a língua do refugiado, o agente parece não compreendê-lo nem deixá-lo contar sua história. Os desentendimentos aumentam com a chegada de uma segunda oficial, que não fala o francês de Serge, e a entrevista do imigrante, com questionamentos burocráticos e interpretações equivocadas. Num tom cômico e absurdo, a narrativa investe na força do texto, repleto de jogos de palavras. Assim, questiona a funcionalidade dos organismos de asilo, presos a um sistema kafkiano – o título da peça, por sinal, é uma referência a O Processo, livro de Franz Kafka–, e discute a nossa falta de escuta do outro.
