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Misturando suspense e ficção científica, “O Círculo” seria o filme perfeito para os dias hiperconectados atuais, se não fossem por graves falhas em sua produção e execução. Tratando de temas como privacidade na internet e exposição online, o longa-metragem estrelado por Emma Watson narra a história de uma empresa que planeja se espalhar por todo o mundo e tomar conta da vida das pessoas, de todos os modos possíveis e imagináveis.

 

No filme, “The Circle” é uma empresa de tecnologia que lembra muito a Apple, o Google e o Facebook – incluindo suas áreas de lazer, campus com design futurista e até mesmo as palestras animadas e carismáticas de Eamon Bailey (Tom Hanks), dono da companhia e uma espécie de Steve Jobs.

O sonho de Mae (Emma Watson) é trabalhar nesta empresa, e acaba sendo realizado quando sua amiga de infância, Annie (Karen Gillan), consegue uma vaga para a jovem no serviço de atendimento ao cliente.

 

Neste momento, a “The Circle” começa a apostar no desenvolvimento da “True You” (plataforma online que “simplificaria o caos na internet”) e na “SeeChange” (câmeras minúsculas espalhadas por todo o mundo que mostram imagens do que acontece ao vivo). Empolgada com a tecnologia, Mae acaba aceitando o convite de Eamon para ser a primeira pessoa a usar uma dessas câmeras e transmitir tudo o que faz no seu dia a dia – o que acaba causando muitos problemas.

 

Inspirado no livro homônimo de Dave Eggers, que assina o roteiro do filme ao lado do cineasta James Ponsoldt, “O Círculo” começa empolgante e parece ter o objetivo de abordar e discutir vários tópicos interessantes da vida conectada. No entanto, acaba deixando a desejar quando escolhe não aprofundar os problemas desenvolvidos – e até mesmo seus personagens.

 

Por que “O Círculo” é decepcionante?

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#1 Roteiro não é empolgante

 

Apesar de ter o roteiro assinado pelo autor do livro que deu origem ao filme, “O Círculo” é empolgante apenas em seu início – momento em que até mesmo parece promissor. É frustrante perceber que muitas histórias interessantes estão presentes no filme, mas acabam por ficar perdidas, sem foco e sem conclusão durante a narrativa do longa-metragem. Quando temos a impressão de que alguma parte da produção finalmente vai ser bem aproveitada, ficamos decepcionados.

#2 Ótimo elenco, mas os personagens são superficiais e mal desenvolvidos

 

“O Círculo” conta com um excelente elenco, mas que poderia ser muito melhor aproveitado. Apesar de ter Emma Watson, Tom Hanks, Karen Gillan, John Boyega, Ellar Coltrane e Patton Oswalt nos papeis de maior importância do longa-metragem, quando analisamos de modo geral, os personagens são superficiais e mal desenvolvidos. Em determinados momentos, a influência tecnológica e os conceitos tecnológicos ganham tanta importância, que os personagens acabam ficando de lado e sendo tratados como meros acessórios.

 

Até mesmo Emma Watson não convence em suas cenas e atitudes como Mae: a personagem tem baixo potencial e, apesar do filme querer tratá-la como uma heroína, não consegue atingir esse objetivo. Na mesma linha está Ty (John Boyega), um programador da The Circle – que acaba ficando “apagado” apesar de sua importância no desenrolar da história.

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#3 Temas interessantes para os dias atuais, mas que poderiam ser mais bem aprofundados

 

O longa-metragem, assim como o livro que deu origem a “O Círculo”, trata de temas muito interessantes e que cabem em discussão nos dias hiperconectados atuais – mas que, infelizmente, não são bem aproveitados e aprofundados.

 

Falando sobre tecnologia, internet, privacidade e exposição online em tempos em que tudo está conectado, temos a impressão de que os roteiristas e produtores preferiram colocar todos os temas de modo superficial, ao invés de aprofundá-los e construir uma história com ligações entre os assuntos.

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#4 No momento de desenvolver o problema central, o filme acaba falhando

Exatamente no momento em que encontramos o conflito de “O Círculo”, o filme acaba falhando em muitos aspectos. Por conta do mal desenvolvimento dos personagens, da abordagem superficial de temas que poderiam ser bem aproveitados e do roteiro, o ponto alto do filme não é desenvolvido de modo a fazer o público refletir sobre os assuntos e apresenta soluções rápidas e práticas para problemas que não são tão simples assim.

 

#5 Não há muita identidade visual – e o filme poderia ser muito “Black Mirror”

 

Apresentando tecnologias como a plataforma online “TrueYou” e as minicâmeras “SeeChange”, o filme tem ideias que lembram muito a série britânica “Black Mirror”. No entanto, quando se trata da identidade visual, “O Círculo” peca por não mostrar algo totalmente novo e que transmita a ideia de modernidade.

 

Ao contrário de “Black Mirror”, que conclui as tramas de cada episódio e reinventa suas estéticas quando mostra as tecnologias do futuro, no longa-metragem temos a impressão de que já vimos aquilo antes, como se tudo, de uma hora para outra, se tornasse descartável.

 

Fonte: Vix.com


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