
No primeiro ‘Cartografia do Possível’ de dezembro, o Centro de Referência da Dança apresenta “Corpo Crustáceo”, criação de Michele Carolina Silva inspirada no ensaio “O mito de Sísifo” (1941), de Albert Camus, que defende a felicidade como a maior rebeldia diante das limitações e absurdos da condição humana. Remete também ao estudo, no âmbito da imaginação poética, dos devaneios e sonhos da ‘obra noturna’ do também francês Gaston Bachelard.
A partir do questionamento sobre quais fronteiras separam o humano da terra e por meio de tensionamentos de dilatação e aceleração do tempo, “Corpo Crustáceo” expõe o movimento perene de transformação da matéria para comunicar esteticamente o nexo indissociável entre a vida orgânica e inorgânica em seus múltiplos fluxos de interpenetrabilidade.
Desenvolvido em residência artística no próprio CRD e no núcleo de Estudos Práticos da Coordenação Motora, sob orientação de Lu Favoreto (Cia Oito Nova Dança), o trabalho conta com Juliana Morimoto e Monica Cristina Bernardes no som e luz, e Rafael Frazão na captação das imagens em vídeo.
