É instintivo, a gente vê uma mosca, e logo quer espantá-la, certo? Quase todo mundo faz isso. Na maioria das vezes, a gente apenas tenta assustar a mosca, para que ela procure outro ambiente. No entanto, acontece também de tentar acertá-la, seja com a palma da mão, uma espátula, aquela raquete própria de matar mosquito ou qualquer coisa que estiver ao seu alcance. Matar uma mosca assim não é uma tarefa muito simples, as vezes, até consegue acertar o inseto, mas não matá-lo. E quando isso acontece, como a mosca continua vivendo, depois de uma lesão como essa?

Cientistas da Universidade de Sydney, na Austrália, decidiram pesquisar a respeito disso. Os pesquisadores afirmam ter encontrado evidências de que os insetos são capazes de sentir dor crônica após uma lesão, assim como nós. E estudar isso pode ser mais interessante do que se imagina. Uma vez que saber como os insetos experimentam essas sensações, pode nos ajudar a entender melhor e até tratar de forma mais eficaz a dor crônica em seres humanos.

 

Dor em insetos

Detectar dor em animais, como os ratos ou animais de estimação, é uma tarefa até fácil. Se o seu cachorro está chorando ou mancando quando anda, não é difícil adivinhar, o que ele pode estar sentindo. Mas no caso dos insetos, não é algo tão simples assim. Não é como se desse para ler o rosto de uma mosca, por exemplo.

Mas sabemos que os insetos experimentam algo chamado nocicepção, que é a capacidade de detectar e responder a estímulos externos. Principalmente aqueles que podem ser prejudiciais. Como por exemplo, quando você coloca a mão em uma superfície quente e imediatamente você retira a mão. Além disso, os insetos também carretam receptores ao longo do sistema nervoso que devem fazê-lo sentir algo bastante parecido com nossas sensações de dor.

No experimento feito pelos pesquisadores, eles amputaram uma das pernas de uma mosca da fruta, causando dor neuropática ou nervoso. Em seres humanos, a dor nos nervos é geralmente crônica e difícil de tratar. Então eles os deixam curar de volta. Quando a equipe testou como as moscas reagiam aos estímulos, nesse caso, em uma sala quente, as moscas estavam muito mais sensibilizadas.

“Depois que os animais são machucados uma vez gravemente, eles são hipersensíveis e tentam se proteger pelo resto da vida”, disse o autor do estudo, Greg Neely, pesquisador da Universidade de Sydney. “Isso é legal e intuitivo.”

 

Tratamento de dores crônicas

A equipe de pesquisadores estudou a base celular, desse padrão, em moscas. No sistema nervosa da mosca, eles encontraram evidências de algo chamado “sensibilização central à dor”. Quando isso acontece em seres humanos, pode fazer com que estímulos que, normalmente não são dolorosos, se tornem dolorosos. E é algo semelhante a isso, o que acontece com essas moscas.

“A mosca está recebendo mensagens de ‘dor’ de seu corpo, estímulo que passa pelos neurônios sensoriais, para o cordão nervoso ventral, que é a versão da mosca da medula espinhal. Nesse cordão nervoso, há neurônios inibitórios, que agem como um ‘portão’ para permitir ou bloquear a percepção da dor, com base no contexto”, explicou Neely. “Após a lesão, o nervo lesionado despeja toda a sua carga no cordão nervoso e mata todos os freios, para sempre. Então o resto do animal não tem freio na sua “dor”. O limiar da ‘dor’ muda e agora eles são hipervigilantes”. Ou sejam, depois de uma lesão, as moscas vão sentir dor para o resto da vida.

Segundo Neely, essa descoberta pode significar que podemos usar insetos, como um modelo em laboratório, para estudar e até tratar as causas de algumas formas de dor crônica em pessoas.

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Fonte: Fatos Desconhecidos


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