Uma sociedade livre, justa e democrática só pode existir se a solidariedade for tratada como princípio fundamental. E é lei: está lá na Constituição Federal do país. E hoje, 32 anos depois, nossa vocação humana é testada num nível e contexto inéditos. O exame principal é de consciência, sobre nossos hábitos, egoísmos e medos. Exige vigilância. Tempo pra refletir e mobilizar. Não falta mais tempo. Sobra. A pressa não é nem mais uma opção. Mas há outras opções.

 

Sejamos humanos. Pela primeira vez numa coletiva de imprensa, desde o início do surto, a Organização Mundial da Saúde não falou de números. Fez um apelo para que sejamos nossa melhor versão em cada pedaço do mundo. A vitória na luta contra o coronavírus depende de nós – mas somos tantos “nós”.

 

A primeira batalha é para observar nossas próprias condições de vida e nossos próprios privilégios. Há várias posições estratégicas nesse importante front que vemos se formar neste momento. Qual qualidade dentro de você, qual potencial dentro de você poderá ajudar nesses tempos de mudança?

 

Da janela de casa ou mesmo pela tela do celular talvez você consiga dar o primeiro golpe de mudança. Enxergando sua diarista, seu bairro, o mercadinho da esquina, o taxista que está todo dia lá quando você ainda saía pra trabalhar todas as manhãs. O que você pode fazer? Aplauda quem está arriscando a própria vida pra acabar com uma crise humanitária sem precedentes no Brasil.

 

O médico Jacques Sztajnbok fala: “É uma situação difícil. Se estamos falando de uma guerra, quem está na primeira fileira, no front, somos nós. Nós estamos saindo das nossas casas para cuidar de vocês e o que a gente espera é que vocês fiquem nas suas pra que a gente possa fazer nosso trabalho. Numa situação dessa, de risco, passa um monte de coisa na cabeça. Em que pese toda dificuldade do nosso dia-a-dia, temos um complicador: a quantidade de pacientes que chegam em situação grave em pouco tempo com a iminência da falta de recursos.E você tem que selecionar pacientes e usar recursos que serão cada vez mais limitados. E nós queremos voltar pra casa, também. Temos famílias, filhos. Queremos voltar por eles e pela população. Não podemos cair. É um cuidado duplo. No pouco tempo em que não estamos em ação, e refletimos, passa muita coisa pela cabeça”.

 

Dr. Jacques, médico intensivista, não pôde ouvir o aplausaço desta semana. Estava na UTI de um hospital da capital, cuidando de um dos vários pacientes graves com a Covid-19 no Estado de SP, onde já são mais de 600 confirmados. No estúdio da Globo News, contei a ele que o aplausaço foi lindo e agradeci, emocionada. Um dia após os panelaços contra e, em menor número, a favor do presidente Jair Bolsonaro muitos brasileiros voltaram às varandas dos prédios para dizer “obrigada” aos profissionais de saúde que estão trabalhando no combate e na prevenção do coronavírus.

 

A organização partiu das redes sociais, um lugar onde o medo nos envolve cada vez mais. Espaço de novas rotinas inventadas coletivamente. Perto, distante, cheio, vazio. Vazios têm sido os enterros, distante tem sido as despedidas dos que já morreram. Nós estamos perto, cheios de poder para tornar essa transmissão menos letal, em especial para os mais pobres. Os sem sabão, sem água limpa, sem comida muito em breve.

 

Minha conclusão compartilhada aqui, após horas e horas ao vivo, em mais uma semana nesta difícil cobertura.

 

Observe, mude. É uma baita oportunidade. Nunca fomos tão importantes, todos. Igualmente.

 

Fonte: G1


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