Especialistas da Thomas Jefferson University, nos Estados Unidos, mapearam pela primeira vez os neurônios de um coração humano e os recriaram em um esquema em 3D. A descoberta foi compartilhada em um artigo na iScience, nesta terça-feira (26).

O funcionamento normal do coração é mantido pelo cérebro através de uma intrincada rede de nervos. Além disso, o órgão tem seu próprio sistema nervoso intracardíaco (ICN) para monitorar e corrigir quaisquer distúrbios locais na comunicação entre os sistemas do corpo.

Erros de comunicação entre o coração e o cérebro resultam em doenças cardíacas, incluindo ataques cardíacos, morte súbita cardíaca e problemas no suprimento sanguíneo. Até agora pouco se sabia sobre o funcionamento do ICN, o que dificultava a criação de tratamentos para esses problemas.

“O ICN representa um grande vazio em nosso entendimento que se situa entre neurologia e cardiologia”, disse James Schwaber, um dos autores do novo estudo, em comunicado. “Nosso objetivo era preencher essa lacuna, fornecendo uma estrutura anatômica do ICN e uma base para entender seu papel na saúde do coração.”

Graças à tecnologia, os especialistas conseguiram mapear os nervos do coração, revelando a complexidade do ICN e evidenciando até mesmo neurônios dos quais não sabiam da existência. Segundo os especialistas, as enervações do órgão são encontradas em uma banda coerente de aglomerados na parte superior do coração, onde as veias e artérias entram e saem, mas também se estendem ao longo do átrio esquerdo, a parte de trás do coração. Além disso, elas estão posicionadas perto de certas estruturas cardíacas importantes, como o nó sinoatrial, um dos tecidos especializados responsáveis por gerar e conduzir impulsos elétricos no coração.

“Sabemos que o nó atrial sinoatrial é importante na criação da frequência cardíaca ou ritmo”, afirmou Jonathan Gorky, coautor da pesquisa. “Encontrar o agrupamento de neurônios ao seu redor era algo que sempre suspeitávamos [ser possível], mas nunca encontramos ao certo. Foi realmente interessante ver as evidências físicas da função do ICN e a distribuição precisa dos neurônios em relação às estruturas anatômicas do coração.”

A análise da expressão gênica de neurônios individuais também apontou para uma diversidade previamente desconhecida de moléculas. “Descobrimos que existem vários tipos diferentes de neuromoduladores e receptores presentes”, explicou Raj Vadigepalli, autor sênior do estudo. “Isso significa que não temos apenas neurônios no coração que ligam e desligam a atividade, mas também aqueles que podem ajustar a atividade da ICN.”

 


Obs: As informações acima são de total responsabilidade da Fonte declarada. Não foram produzidas pelo Instituto Pinheiro, e estão publicadas apenas para o conhecimento do público. Não nos responsabilizamos pelo mau uso das informações aqui contidas.