O nível de poluição do ar diminuiu 40% em cidades que declararam estado de emergência em fevereiro devido à pandemia de Covid-19. Essa foi a conclusão de uma pesquisa realizada por Marc Cadotte, professor da Universidade de Toronto, no Canadá, que focou em seis cidades: Wuhan, Hong Kong, Kyoto, Milão, Seul e Xangai.

 

O pesquisador comparou o índice de qualidade do ar (AQI, na sigla em inglês) das seis cidades em fevereiro de 2019 com as medições realizadas em fevereiro deste ano, quando medidas como o distanciamento social já haviam sido implementadas. “Você observa um declínio de 20 a 40% nos níveis de poluição do ar”, afirmou Cadotte em comunicado. “Houve um aumento significativo no número de dias classificados com ‘boa qualidade do ar’ versus ‘poluído’ no AQI.”

 

O AQI é usado para medir a qualidade do ar em uma escala que vai de zero (menos perigoso) a 500 (mais perigoso). O índice rastreia as concentrações dos cinco principais poluentes do ar: monóxido de carbono, dióxido de enxofre, dióxido de nitrogênio, partículas transportadas pelo ar, ozônio no nível do solo e particulados.

 

De acordo com Cadotte, o benefício desse sistema é que ele está diretamente ligado à saúde humana. Por exemplo, se o AQI for superior a 101, as pessoas com doenças cardíacas ou respiratórias são aconselhadas a ficar em casa.

 

No estudo, o pesquisador também analisou o AQI de 11 cidades que não declararam estado de emergência em fevereiro por conta da pandemia do novo coronavírus. Cadotte descobriu que essas cidades, diferentemente das que declararam medidas de distanciamento social, não tiveram o mesmo declínio nas concentrações de poluição do ar.

 

Cadotte acredita que o declínio do AQI nessas regiões é resultado da redução de atividades humanas e econômicas, como o fechamento de fábricas e a diminuição do tráfego. Além disso, em cada cidade analisada a queda dos níveis de poluentes variaram de lugar para lugar.

 

Enquanto em Xangai o nível de dióxido de nitrogênio foi o que mais diminuiu, em Seul o maior declínio foi no nível de dióxido de enxofre. “Quando se trata de grandes poluentes do ar, depende do que está sendo produzido localmente”, explicou Cadotte.

 

O profissional também ressaltou que a queda dos índices de AQI não deve interferir muito no aquecimento global, mas pode contribuir para conscientizar governos do mundo todo sobre medidas que podem ser tomadas para impedir as mudanças climáticas.

 

“Estamos tomando essas decisões muito difíceis, mas muito responsáveis, sobre a limitação da atividade humana e econômica para salvar vidas. Ao mesmo tempo, estamos subsidiando indústrias que produzem poluição do ar ou usam veículos que poluem, o que sabemos contribuir para milhões de mortes prematuras por ano”, afirmou Cadotte. “Isso pode ser muito otimista, mas talvez o que a pandemia nos mostre seja que os governos podem tomar medidas mais diretas para combater outros fatores conhecidos causarem altas taxas de mortalidade.”

 

Fonte: Revista Galileu


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